terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ainda falando de músicas e suas viagens inevitáveis

Sábado passado encontrei um dos meus botecos favoritos agradavelmente vazio, apenas eu e mais uma meia dúzia de bêbados apreciávamos o lugar. Eu gosto de lugares vazios, embora isso diminua bastante a probabilidade de encontrar alguma nova musa questionável.

Mas no sábado foi bom, era uma noite para boteco vazio mesmo.

Uma das melhores coisas desse boteco é uma velha jukebox, que parece saída de algum filme dos anos 50 – quase é possível ver algum sujeito tentando ser James Dean enquanto escolhe uma canção de Rick Nelson, ou algo assim.

Enquanto eu enxugava minhas doses on the rocks, um dos bêbados de plantão selecionou uma das minhas músicas favoritas na jukebox. Mas é REALMENTE uma das favoritas, dependendo do humor ela entra no TOP 3.

Na verdade a letra dela é uma tremenda bobagem (Deus sabe quantos neurônios o pessoal da banda já devia ter queimado quando a escreveu), mas logo aos primeiros acordes sou arrancado do mundo atual e arrastado de volta aos anos que perdi fora de circulação no começo dos anos 90 – não vou dizer o motivo, mas podem ficar à vontade para escolher entre algo como seminário, faculdade, cadeia, Marinha Mercante, ou uma simples bad trip on the road longa demais. O que importa é que eu estava fora de circulação, e sentia uma falta danada da minha liberdade, dos meus amigos, da minha garota (veja que rapazinho bonzinho eu era na época, humpf?), enfim, sentia uma tremenda falta de ser eu mesmo. Como se aquele moleque grunge pudesse valer alguma coisa, humpf!

E foi exatamente numa das minhas breves folgas (ok, mais adequado seria dizer fuga) nesse período que conheci essa musica, que pra mim foi uma novidade tremenda, já que onde eu estava éramos proibidos de ouvir algo que não fosse digno de uma maldita trilha de novela das oito. E ainda me lembro exatamente desse momento, na kitinete de um dos velhos camaradas, estávamos sentados a mesa, fumando, bebendo e jogando conversa fora com a MTV rolando solta (lembrando, compadres, na época a MTV ainda tocava musica de verdade!!).

E por algum desses motivos mnemônicos inexplicáveis, embora tantas outras coisas dessa mesma época tenham ficado borradas pelo álcool – e como sempre houve álcool demais! – gravei essa cena, esse momento, na minha mente e sempre que ouço essa música me lembro claramente de um velho amigo, que ficou pelo caminho como tantos outros – God bless you Flea, whatever you are! Uma daquelas agradabilissimas más-companhias que tornam a vida da gente extremamente mais divertida.



E obrigado ao AA (alcoolatra anonimo) que botou essa música para tocar na velha jukebox - fico lhe devendo uma dose do seu veneno favorito, seja ele qual for!

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